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Francesco Di Bacco
(1796-)
Brigida Liberatore
(1797-1845)
Gaspare Spadafora
(1786-)
Fulvia Gali
(1791-)
Panfilo Antonio Di Bacco
(1821-)
Maria Giuseppa Candida Spadafora
(1822-)

Filomena Di Bacco
(1862-1938)

 

Vínculos de família

Cônjuges/Filhos:
Rocco Petrella

Filomena Di Bacco

  • Nascida em: 13 Mai 1862, Pratola Peligna , L'Aquila, Abruzzo
  • Casamento: Rocco Petrella em 18 Dez 1882 em Pratola Peligna , L'Aquila, Abruzzo
  • Falecido: 29 Jun 1938, Brooklin, Sp com 76 anos de idade
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marcador  Notas Gerais:

Em 01-01-1898 Rocco, Filomena e os três filhos embarcaram no porto de Gênova no navio Washington e imigraram para o Brasil, aqui desembarcando em 19-01-1898 no porto de Santos. Foram para a Hospedaria dos Emigrantes em São Paulo, e lá tiveram como destino: Aurora fazenda de Pedro Doria.

N. As. A xerox da Certidão de Desembarque fornecida pelo Memorial do Imigrante foi cedida gentilmente pelo primo Núncio Petrella (Neno), e encontra-se anexa no final do trabalho (anexo 4).

Eles vieram para o Brasil como muitos outros imigrantes, trabalhar na lavoura do café. Rocco com 38 anos, Filomena com 37, Nunzio com 13, Ercole com 7 e Erminia com 4 anos.

N.as. Entre 1871 e 1930, mais de 1.565.835 imigrantes italianos, vieram para o Brasil 1,13,14.

Os principais fatores que contribuíram para que um número bastante grande de italianos emigrassem foram: o crescimento populacional e o processo de unificação italiana 12,14.

Transcrevemos a seguir trechos do trabalho de Ricardo, T..
"As condições de vida da população italiana (naqueles tempos essencialmente rural), eram consideradas péssimas. A existência de "latifundiários" (poucas pessoas que detinham grande parte das terras cultiváveis), a introdução de modernas máquinas no campo e de novos métodos de produção nas cidades reduziram o número de empregos. Após a unificação do país (1870), impostos eram pagos sobre praticamente tudo o que se produzia.
Os pequenos proprietários de terra pagavam até mesmo impostos sobre produtos para consumo próprio e animais domésticos. A quantidade de tributos sobre as propriedades rurais aumentou muito, o que fez com que muitos produtores (a extensa maioria) acabassem por se endividar, a ponto de terem que se desfazer de suas propriedades para saldar as dívidas contraídas com o governo. Os impostos elevados favoreciam sempre os grandes produtores, que podiam oferecer ao mercado consumidor, produtos de menor preço, quando comparados com aqueles produzidos nas pequenas propriedades. Assim sendo, boa parte dos pequenos proprietários de terra acabou por seguir para as cidades, em busca de novas oportunidades, encontrando todavia, a fome, a miséria, o desemprego e a marginalidade.
Deixar portanto o seu país, com destino à terras onde as oportunidades poderiam ser melhores, foi a única saída encontrada por esse povo, para garantir sua sobrevivência.

Por outro lado, no Brasil, os movimentos abolicionistas e o desenvolvimento de políticas governamentais para atrair imigrantes criavam um ambiente favorável para a vinda desse povo. A proibição do tráfico negreiro (1850), a Lei do Ventre Livre (1871), a Lei dos Sexagenários (1885) e o crescimento da campanha pela abolição da escravatura (que veio a acontecer em 13 de Maio de 1888) foram os principais fatores para a busca de soluções alternativas de obtenção de mão-de-obra, em substituição ao trabalho dos escravos. No ano de 1840, o café começou a substituir a cana-de-açúcar como principal meio econômico.
Com o desenvolvimento dessa atividade econômica (principalmente no estado de SP), a necessidade de mão-de-obra aumentou, já que os escravos eram os responsáveis pelo trabalho nas fazendas de café, e com a abolição da escravatura, essa mão-de-obra não se encontrava mais disponível aos produtores. O governo brasileiro adotou diversas medidas para que mão-de-obra estrangeira, principalmente européia, viesse para o país, suprir assim a necessidade que se havia criado.
Os estados da Federação passaram inclusive a ter o direito de trazer imigrantes, com políticas imigratórias independentes, quando antes esse poder era exclusividade do Governo Imperial.

No caso do estado de São Paulo, houve o estabelecimento de sua própria política imigratória. Fazendeiros paulistas acabaram se unindo e fundando, em 1886, a chamada Sociedade Promotora de Imigração, órgão responsável pela definição desta política imigratória, juntamente ao governo da província de São Paulo.

O governo provincial assumiu todos os custos relativos à vinda dos imigrantes, principalmente através do financiamento das passagens. As companhias de navegação desenvolveram-se de modo a atender o aumento de demanda que estava por vir. Essa política de financiamento do governo, aliada à intensa propaganda (com promessas de moradia, alimentação, salários, condições de vida dignas e ainda, a possibilidade de comprar terras e se tornar produtor) influenciaram a emigração voluntária dos europeus, principalmente dos italianos, que se encontravam tão descontentes com as condições de vida e trabalho em seu país.

Um dos documentos obrigatórios para a viagem e que era trazido por cada um dos imigrantes era seu passaporte. Quando chegavam à Hospedaria, utilizavam o passaporte ou então a lista de bordo do vapor para fazer seu registro de entrada, onde constavam: nomes dos imigrantes, estado civil, parentesco ou acompanhante, nacionalidade, profissão, procedência, nome do vapor, data de entrada, destino, etc.. Porém alguns imigrantes vinham para o país de forma espontânea, sem contrato de trabalho com fazendeiros de café, o que fazia com que os mesmos não necessitassem passar pela Hospedaria e portanto, não é possível encontrar registros desses imigrantes nos livros da Hospedaria.

Na Hospedaria de Imigrantes, além dos registros de entrada, os imigrantes celebravam os seus respectivos acordos com os seus futuros patrões: os fazendeiros produtores de café. De lá, seguiam geralmente de trem, com suas passagens financiadas mais uma vez pelo governo da província, até a fazenda de destino, onde viveriam daquele momento em diante.
\tab Em 1908, aproximadamente 70% dos trabalhadores das fazendas de café eram de origem italiana. Os outros 30% consistiam principalmente em portugueses, espanhóis e libaneses.

Nas fazendas, os imigrantes (de agora em diante chamados de colonos) recebiam pagamento pelo número de pés de cafés cultivados, pelo volume de café colhido somados e até mesmo um salário fixo por dia de trabalho. A família toda trabalhava, sendo que cada membro da família desempenhava uma função específica.
Sua jornada de trabalho era pesada, podendo atingir 14 horas de trabalho diário. Enquanto os homens lidavam com as atividades da cultura cafeeira (derrubada do mato, formação dos viveiros de mudas, o plantio das mudas, a limpeza do campo, a colheita , a secagem e o beneficiamento do fruto do café), as mulheres tratavam dos animais (porcos, cabras, galinhas, etc...) e as crianças costumavam conduzir os animais ou até mesmo carregar as carroças com café. Todos trabalhavam: homens, mulheres e crianças, para assim aumentar a sua renda. Eles podiam também plantar alimentos para a sua subsistência e o excedente podia até mesmo ser vendido, o que às vezes, ajudava no aumento dos vencimentos da família.

As principais culturas para uso próprio eram o milho, o feijão, a uva, etc... Estas culturas eram feitas em terrenos separados ou entre as fileiras do cafezal. O colono poderia se dedicar a elas, desde que isso não atrapalhasse o seu trabalho na cultura do café. Essa era a única condição imposta pelos fazendeiros (para evitar que sua produção fosse prejudicada).

Todavia, com o passar dos anos, os colonos passaram a abandonar o trabalho nas fazendas, saindo à procura de melhores oportunidades de subsistência. Os fatores que levaram a esse êxodo rural foram: as inúmeras reclamações sobre a ausência de pagamento de salários nas fazendas de café, o não cumprimento dos contratos firmados na Hospedaria e ainda o isolamento sociocultural (não havia igrejas , escolas, etc...).
A ausência de assistência médica nas fazendas foi outro fator importante para a migração dos colonos para as cidades, além é claro, de fazer com que muitos colonos retornassem ao seu país de origem. Sobretudo, a crise pela qual a cultura cafeeira passava, com queda dos preços do produto no mercado internacional, fez com que esse processo de migração para as cidades fosse desencadeado.
Nas cidades, os italianos participaram de maneira intensa no processo de industrialização, ou como operários (trabalhando em fábricas, organizando inclusive o movimento sindical) ou propriamente como empresários, criando indústrias próprias.
Introduziram diversas indústrias como a de adubos, de colas, de peneiras, de seda natural e principalmente a de massas alimentícias 2.

\tab Tiveram inegável importância na industrialização e formação de algumas cidades do interior e, em especial, da capital paulista. Deixaram marcas profundas e passíveis de serem quantificadas pelos bairros da Bela Vista, da Barra Funda e do Brás" 10,11.

Na capital Paulista e em outras várias cidades do estado, os imigrantes italianos foram responsáveis pela criação de associações culturais de diversas naturezas: musicais, esportivas, educacionais, sociedades líricas, etc... Por volta de 1897, já existiam aproximadamente 100 sociedades criadas por imigrantes italianos. A "Società Italiana di Beneficienza" foi a primeira a ser criada, em 1878, e dirigiu por muitos anos o Hospital Humberto I, fundado em 1904 3.
As origens regionais também possuíam suas associações, entre as quais se destacavam: Calabresi Riuniti, Subalpina, Veneta San Marco, Popolare Emiliano, Lega Lombarda, Meridionali, Uniti e Circolo Italiano.
Numerosas escolas italianas foram criadas. Em 1919, contavam-se perto de 9000 alunos. Em 1911, era fundado o Colégio Dante Alighieri, em SP.
O número elevado de publicações em língua italiana, como jornais e revistas também merece destaque. Em 1907, encontravam-se 5 folhetins diários: Fanfulla, La Tribuna Italiana, Il Secolo, Avanti e Corrieri d'Italia. O mais popular foi o Fanfulla, que chegou a atingir 15000 exemplares, contra 20 000 de - O Estado de SP.
Os italianos, católicos em sua extrema maioria, edificaram numerosas igrejas e capelas, em homenagem aos santos que veneravam em suas paróquias de origem.
A música foi outro aspecto que acompanhou os imigrantes no Brasil. Foram fundadas diversas bandas, associações musicais, sociedades líricas, etc...
A herança de certos hábitos e costumes típicos, sobretudo da sua cozinha, ainda é muito presente atualmente. Uma prova é o número imenso de casas especializadas em cozinha italiana. Introduziram legumes até então desconhecidos no Brasil, como a berinjela, o pimentão e o brócolos.
Contribuíram ainda para a formação da língua portuguesa, onde é possível encontrar diversos vocábulos (por volta de 300) de origem italiana.
No esporte, introduziram jogos praticados em sua terra natal. Trouxeram a bocha e a malha. Fundaram clubes de futebol (Palestra Itália, atual Soc. Esportiva Palmeiras e Juventus, em São Paulo; Cruzeiro em Belo Horizonte, etc...). Jogos familiares também foram introduzidos, como a Morra (murrinha), a tômbola (bingo), a bocha e a malha".

\tab A presença italiana em São Paulo era sentida em todos os lugares.

\tab Conforme consta na Certidão de Desembarque o destino a ser tomado por Rocco era: Aurora fazenda de Pedro Doria. Não obtivemos esclarecimentos sobre este destino.

\tab Mas tudo leva a crer que Aurora seria a estação da Cia Paulista de Estradas de Ferro (1891-1960), no município de Descalvado, SP, Ramal Descalvadense.
\tab Se raciocinarmos que antigamente um dos principais meios de transporte era o ferroviário, e que em São Paulo, as estradas de ferro eram construídas em decorrência natural das exportações agrícolas, esta estação de Aurora encaixa-se como o destino mencionado na Certidão de Desembarque.

A linha Aurora Estrada de Ferro Descalvadense foi fundada por fazendeiros da
região de Descalvado, mas antes mesmo de sua inauguração, foi adquirida pela Cia. Paulista, que a ativou em 1891. Tinha apenas 13 quilômetros e bitola de 60 cm, saindo da ponta do ramal de Descalvado, nesta cidade. Era popularmente chamado de "ramal da Aurora" ou de "trenzinho", em oposição ao "trenzão", que partia de Descalvado para São Paulo. Foi desativado em 11 de março de 1960 e os trilhos retirados logo a seguir. A estação de Aurora, que recebeu este nome em homenagem à esposa do fundador do ramal (antes de ser adquirido pela Paulista), foi inaugurada com o ramal, em 1891. O trenzinho ia até ela e voltava, num percurso de treze quilômetros por fazendas de café. Desativada em 1960 e vendida logo após, o prédio da estação, bem como vários outros da vila ferroviária, sobreviveram; a estaçãozinha é hoje a sede de uma granja, mantendo ainda bastante de suas feições originais, inclusive a plataforma. 6.

Como vimos, em Descalvado deveria ser feita a baldeação para o "trenzinho", e com ele chegarem em Aurora.
\tab Nossos antepassados porém não chegaram nesta estação.
\tab Foram parar em Neca Junqueira - município de Sertãozinho que na ocasião era comarca de Ribeirão Preto.

C.as. Isso mais ou menos condiz o que a Marianina contava: "- a família tinha que ir para uma fazenda mas acabou indo para outra."

O que sabemos é que no Brasil tiveram mais três filhos:
5- Luisa Petrella (* 07-05-1898):
6- Marianina Petrella (*05-08-1901) e
7-Antônio Isaias Petrella (*16-03-1904)
e todos nasceram em "Neca Junqueira", município de Sertãozinho, e foram registrados na comarca de Ribeirão Preto.

Pelo que pudemos apurar, "Neca Junqueira" seria uma fazenda de café em Sertãozinho.
A prima Haydee (que nasceu lá em 1909), contou que a fazenda pertencia a Manoel Junqueira. Lá os imigrantes tinham uma habitação, um pedaço de terra para cultivo, e trabalhavam na lavoura do café. Os antigos contavam que dormiam e acordavam a toque de sino. Era muito trabalho para pouco dinheiro.

\tab Pesquisamos na prefeitura de Sertãozinho, no Centro de Memória "José Antônio Rossin", mas eles não souberam dar informações sobre Neca Junqueira. A área conhecida como Sertãozinho era muito grande, abrangendo na época os atuais municípios de Pradópolis, Dumont, Barrinha e Pontal.

\tab A família de Rocco ficou aproximadamente até 1916 neste lugar (Neca Junqueira), depois (o avô Rocco, a avó Filomena, e os filhos Luisa, Marianina e Antônio Isaias), vieram morar na Rua Piratininga, e depois, na rua Visconde de Parnaíba, 229, ambas no Brás.

N. as. Os locais e datas foram obtidos através de pesquisas em fotografias e cartões da Natal recebidos pela avó Filomena, Marianina e Antônio Isaias.

\tab Rocco Petrella faleceu em 1920 no município do Rio Grande da Serra, no sítio do seu filho Ercolino.
\tab Filomena di Bacco faleceu em 29-06-1938, no bairro do Brooklin, SP, na casa de seu filho Ercolino (atual casa do Miro e da Ciata), na rua Francisco Dias Velho, 840, e foi enterrada no Cemitério de Santo Amaro, no túmulo da família Petrella.


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Filomena casad[:o::a] Rocco Petrella, filho de Gaetano Petrella e Maria Luigia Di Simone, em 18 Dez 1882 em Pratola Peligna , L'Aquila, Abruzzo. (Rocco Petrella nasceu em em 28 Ago 1861 em Pratola Peligna , L'Aquila, Abruzzo e faleceu em 1920 em Rio Grande Da Serra, Sp.)



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